No dia 15 de março de 2019, realizamos em parceria com a Coordenação
de Sustentabilidade, Gênero, Raça e Estudos Afro-Brasileiros do Instituto Federal de
Brasília o evento Mulheres, Ciência e Tecnologia, no auditório do campus Brasília. O evento contou com a participação de vários professores e todo o ensino médio integrado (eventos e informática). Os alunos fizeram muitas perguntas às palestrantes, demonstrando interesse e capacidade crítica.
segunda-feira, 18 de março de 2019
8M
Dia 8 de março é um dia de luta para as mulheres. Um dia para lembrarmos de todas que vieram antes de nós, abrindo caminhos para que hoje estivéssemos aqui, tendo acesso aos estudos e tantos outros benefícios duramente conquistados. É também um dia de reafirmar a importância da nossa luta ao constatar que ainda estamos longe de alcançar um mundo mais justo, igualitário e, principalmente, livre de violências.
Em conjunto com a Coordenação de Sustentabilidade, Gênero, Raça e Estudos Afro-Brasileiros do Instituto Federal de Brasília, realizamos o Cine debate sobre o filme As sufragistas.
Em conjunto com a Coordenação de Sustentabilidade, Gênero, Raça e Estudos Afro-Brasileiros do Instituto Federal de Brasília, realizamos o Cine debate sobre o filme As sufragistas.
Empoderamento: da luta antissistêmica ao feminismo apolítico
Amanda Lima
#MeuAmigoSecreto acredita que basta a mulher descobrir sua "força interior" para ser empoderada e derrubar todas as barreiras impostas pelo machismo.
A tag #MeuAmigoSecreto viralizou na internet com o objetivo de denunciar o comportamento incoerente de pessoas de suas convivências - aquelas que não se julgam machistas e preconceituosas, mas são.
A ideia de que basta a mulher encontrar a sua "força interior" para derrubar o machismo presente na sociedade é extremamente equivocada e errônea, pois estamos discutindo vivências de mulheres distintas, com pautas diversificadas. Por exemplo, enquanto as mulheres brancas estavam lutando pelo direito ao voto, as mulheres negras estavam lutando pelo simples direito de serem reconhecidas como mulheres, lutando pela sua sobrevivência.
O entendimento de empoderamento surge como o processo pelo qual as mulheres ganham poder interior para expressar e defender seus direitos, ampliar sua autoconfiança, fortalecer sua própria identidade, melhorar sua autoestima e, sobretudo, exercer controle sobre suas relações pessoais e sociais. Mas, surgem questões e debates de como absorvemos quem são as pessoas que ditam e espelham esse empoderamento, com a força do movimento feminista esse termo se popularizou e assim, o mercado percebeu a força e entendeu como uma oportunidade de comercializar o mesmo. Qualquer proposta que fale em empoderamento, mas não questione as estruturas de poder que formam as desigualdades, é pura especulação (concepção própria), é necessário que se discutam as estruturas de poder dominantes.
E antes de tudo, temos que analisar que "força interior" seria esta? Como é construído esse empoderamento das mulheres, respeitando suas particularidades e vivências, em um contexto social marcado pela dominação de classes e etnias, machista, com base no estupro, na imposição religiosa e em várias outras questões.
sexta-feira, 15 de março de 2019
Poema para Marielle
![]() |
| Imagem: André Toma |
uma mulher descerá o morro
como se descesse de uma estrela
uma mulher seus olhos iluminados
suas mãos pulsando vida e luta
sob seus pés a velha serpente
[a baba as armas a covardia de sempre].
uma mulher descerá o morro
as inúmeras escadarias do morro
os muros arames que separam o morro
e pisará o chão desse país sem nome
desse país que ainda não existe
desse país que interminavelmente não há
uma mulher descerá o morro
tempestade é o vestido que ela veste
uma mulher descerá o morro
e ainda que seu sangue caia
ferida incessante no asfalto do Estácio
e ainda que anunciem sua morte
[e sim, ainda que a comemorem]
esta mulher ninguém poderá parar.
Micheliny Verunschk
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
A vela e o temporal
Tamirys Jordânia de Freitas C. Branco
A
Vela e o Temporal
é a obra aqui apresentada e que compõe o rol da literatura feminina piauiense.
Ela mostra a mulher que transgride, rompendo com as barreiras de uma tradição
dominada pela cultura machista, fragmentando os preceitos do patriarcalismo e
rebentando com as tradições machistas da sociedade.
O cenário abordado na obra é o
sertanejo, no período em que o coronelismo estava em alta. A protagonista,
Rosáurea, é uma moça apegada à terra em que vive e que vai além do que lhe é
imposto, enfrentando as predeterminações que a sociedade lhe colocava. Apesar
de viver dentro dos costumes da tradicional família do avô paterno, que se
fundamentava na cultura do patriarcalismo, a protagonista busca ser dona do
próprio destino, sendo uma personagem com uma personalidade forte e marcante
durante todo o enredo da obra.
A trama da presente obra se passa
na região do vale do Parnaíba, interior do Piauí. Santa Quitéria, a fazenda da
família Fernandes, comandada pelo Coronel Severo, é o cenário no qual se
desenrolam as principais ações de A Vela e o Temporal.
A narradora e protagonista dessa
história, Rosáurea, tem amor incondicional pelas terras da família e, desde
criança, acompanha o desenvolvimento da fazenda. Ainda quando criança presencia
uma cena que exerce influência em toda a narrativa: escondida atrás de um móvel
no quarto de seus pais, Rosáurea presencia seu pai entrar no quarto com sua mãe
morta nos braços.
Após alguns anos, já na fase
adulta, Rosáurea precisa lidar com os assédios de seu primo, Dionísio, que
tenta a qualquer custo convencê-la a casar-se com ele na intenção de se tornar
dono da fazenda Santa Quitéria e vender as terras para ir morar no Rio de
Janeiro. Sem ter ciência dos planos do neto, Coronel Severo deseja casar
Rosáurea e Dionísio.
Dionísio chantageia Rosáurea
ameaçando-a de contar todo o segredo que sombreia a vida dos Fernandes: dizer a
todos que o pai de Rosáurea matou a própria esposa. Rosáurea, inocentemente,
para proteger o próprio pai, sede as vontades do primo e decide casar-se com
ele. Porém, a moça ama David. O romance entre Rosáurea e David é interrompido
por conta de Dionísio. A narrativa versa sobre essas duas problemáticas e conta
com o plano de fundo das paisagens nordestinas. O desfecho se dá por meio da
coragem de Rosáurea em decidir se casar com o homem que a amava rompendo com as
tradições que a destinava a se casar com seu primo, David.
A história gira em torno desse
grande conflito e conta com uma riqueza de detalhes tanto dos sentimentos das
personagens, quanto da descrição e valorização do espaço. Com relação a isso,
Araújo (2013, p. 56) fomenta que
De antemão, pode-se dizer que as
narrativas de Alvina[1] guardam
algumas particularidades que se manifestam nas obras estudadas. Uma delas diz
respeito ao apego que ela mantém com o sertão nordestino, em especial o
piauiense. Tanto em A Vela e o Temporal (1996) quanto em O Vale das Açucenas
(s.d.)22, o olhar que a autora assenta sobre o Nordeste é um olhar de admiração
e afeição aos costumes do sertão nordestino. Isso permite afirmar que o sertão
de Alvina é o sertão edênico, discrepante do sertão de Graciliano Ramos, por
exemplo. Apesar de ser figurativo de um sertão próprio, característico da
escrita de Alvina, ela escreve sobre um sertão coletivo, de encontros e
desencontros, das grandes fazendas, das relações sociais mais amplas.
Araújo afirma, portanto, que Alvina
retrata o espaço sertanejo nas suas obras exaltando as belezas que ele possui e
dedica, como no caso de A vela e o temporal, uma série de páginas para
descrever as belezas naturais que o sertão piauiense possui.
Alvina Gameiro, autora da obra,
traz uma mensagem muito pertinente aos estudos de gênero, sobretudo
relacionados à mulher, apresentando a transgressão da personagem que, ao
descobrir o mistério que girava em torno de sua vida, resolveu tomar seu
próprio rumo e definir seu próprio destino, ultrapassando as barreiras do poder
do avô a quem era submetida.
Alvina Fernandes Gameiro, piauiense
nascida em 10 de novembro de 1917, em Oeiras – PI e falecida em Brasília, em 13
de agosto de 1999, dedicou grande parte da sua vida à literatura. Além de
escritora, Alvina Gameiro graduada pela Universidade de Colúmbia, formou-se
também na Escola Nacional de Belas Artes. Professora, romancista, contista,
poetisa e pintora, Alvina Gameiro pertenceu à Academia Piauiense de Letras,
cadeira nº 14.
Durante toda sua trajetória, com
suas obras, narrativas e poemas, marcadas pelo regionalismo nordestino, marcou
sua escrita também com personagens características das transgressões que rompem
com as tradições da época. Citam-se, como exemplo de publicações desse tipo: Orfeão
de sonhos – poesia, 1976; A vela e o temporal – romance; O vale das açucenas –
1963; Quinze contos que o destino escreveu; Chico vaqueiro do meu Piauí – 1970;
Curral de Serras – romance, 1980; Contos do sertão do Piauí (contos), 1988.
A escritora recebeu da maioria dos
críticos uma recepção positiva, pois escrevia com riqueza de detalhes e não
perdia a essência da literatura regionalista. Outro ponto que chamava atenção
eram as personagens fortes que Alvina trazia em seus textos sempre tentando
fazer, mesmo que indiretamente, seus questionamentos à sociedade.
A obra aqui será tratada por meio
da personagem protagonista que, apesar de viver em um contexto dominado pelo
coronelismo e patriarcalismo, transcende a essa cultura e apresenta-se com um
indivíduo subversivo. Sobre a crítica, pode-se citar como uma das boas
recepções que Alvina Gameiro teve Mário Ferreira dos Santos, que após entrar em
contato com as obras de Alvina fica estonteantemente embebedado pela riqueza da
estética literária e comenta:
Ao lê-lo cheguei as seguintes
reflexões, em face de tanta experiência poética malograda nos dias de hoje: os
velhos cânones não impedem a criação, com cânones de Fídias não impediam que suas
obras se tornassem exemplares para a humanidade. Dentro desses cânones a
senhora produziu uma bela obra, que guardarei entre os livros mais caros. (
SANTOS, apud MENDES, 2009, p. 96)
A crítica recebeu Alvina com
comentários positivos significativos dentro da crítica brasileira. Optando por
manter o dialeto do povo sertanejo, Alvina Gameiro encanta a todos que tem a
oportunidade de ter contato com suas obras. Pode-se citar ainda José Américo de
Almeida que exaltou a arte de Alvina e não economizou palavras ao se retratar a
ela e sua escrita:
A poesia não morre por sua
variedade. Quando parece esterilizar-se adquire uma doçura como a sua. Temos
nossas fontes, nordestinos da criação. A questão é o tratamento que se dá a
esses símbolos. Não lhe falta a magia poética. Quanto mais simples mais
atraente se revela a face oculta. É por isso que a poesia popular está
recuperando o seu prestígio. Francamente, li com alegria o seu belo poema Chico
Vaqueiro do meu Piauí.
O autor afirma que tudo depende da
forma que nos relacionamos com as coisas. Pois todos têm sangue nordestino e
como se pode observar, a autora se destaca pela linguagem que emprega em suas
obras, trazendo a cultura e o dialeto do povo sertanejo e as descrições ricas
em detalhes da paisagem nordestina, o que torna suas descrições uma forma de
valorização da cultura regionalista.
Referências
GAMEIRO, Alvina Fernandes. A Vela e o Temporal.
Brasília [s.n.], 1996.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
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